Revista Qualidade – 2018 – Edição 1

Índice

Certificação do Sistema de Gestão de Segurança da Informação – ISO/IEC 27001 - Autarquia de Águeda

Sónia Marques

Resumo

A norma ISO/IEC 27001 permite a certificação das organizações em termos de gestão de segurança da informação. Na sua implementação são garantidos três pilares:
1) confidencialidade; 2) integridade e 3) disponibilidade (availability). No caso da Câmara Municipal de Águeda são perceptíveis várias melhorias de desempenho no seu Sistema de Gestão, entre estas, transmissão de confiança às partes interessadas, reforçando a percepção de confiança nos mecanismos de segurança da informação, assim como, um maior envolvimento dos colaboradores mostrando uma crescente sensibilização para as questões da segurança da informação.

Palavras-chave: ISO/IEC 27001, Gestão de Segurança da Informação



Aplicação da Filosofia Lean à Gestão BBS (Behavior Based Safety)

Natividade Gomes Augusto

Resumo

Lean Behavior-Based Safety é uma abordagem aprimorada de melhoria da gestão de segurança do trabalho, baseada em comportamentos, utilizando a redução do desperdício, reduzindo ou eliminando custos e tempo. Esta abordagem decorre da experiência prática de quase uma década em implementação de programas BBS, da PROATIVO, Instituto Português, podendo estar focada no processo puro de gestão (ex: integração sistémica, tipo de lista de verificação, incorporação da linha de alarme de segurança-comportamental, condução de diálogos preventivos de segurança, gestão da segurança baseada nas consequências PIC/NIC e formação & coaching), assim como, na gestão do contexto cultural (ex: thinking people system, líderes lean, gestão de hábitos e trabalhadores como motor).

Palavras-chave: Lean, Gestão BBS, Segurança no Trabalho



A Internet das Coisas, os Impactos no Sector Automóvel e para a Sustentabilidade

Jorge Silva

Resumo

A “Internet das Coisas” é uma rede de dispositivos conectados que comunicam entre eles todo o tipo de dados. Há uma transformação relacional entre pessoas, assim como, estas e as tecnologias, tanto a nível das empresas como individual. Neste artigo, são abordadas as transformações que estão a acontecer ou que estão previstas e que têm impacto nas empresas e em particular no sector automóvel (sector dos componentes). De todos os impactos possíveis, no setor automóvel, serão destacados os seguintes: a) impacto no design do produto; b) impacto na produção (processos industriais); c) impacto nos modelos de negócio; d) impacto na sustentabilidade.

Palavras-chave: Internet das Coisas, Setor automóvel



Melhoria do Processo de Enchimento de uma Linha de Embalagens PET numa Empresa do Setor Alimentar

Daniel Ferreira, Helena Navas

Resumo

Soluções inovadoras que facilitem os processos de melhoria contínua são obrigatórias para as organizações sujeitas às alterações dos mercados. Este artigo é focado num estudo de melhoria do processo de enchimento de uma linha de envase de refrigerantes
em garrafas PET, numa organização do setor alimentar. Após uma análise detalhada da situação inicial, foram localizadas oportunidades de melhoria, identificados alguns problemas e determinadas as respetivas causas. A implementação das soluções
propostas, com base na utilização dos instrumentos analíticos da metodologia TRIZ e das ferramentas da filosofia Lean, traduziu-se num ganho de, aproximadamente, 15,6% no rendimento produtivo da linha. O trabalho desenvolvido permitiu também
a redução de desperdícios e o aumento da disciplina nos métodos de trabalho.

Palavras-chave: ISO 9001, Setor Alimentar, Triz



Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada e o Sistema Integrado de Gestão

Miguel Salvado

Resumo

O Sistema de Gestão Integrado (SGI) dos SMAS de Almada, constituído por uma equipa multidisciplinar, que integra os vários sistemas de gestão e processos, assumindo uma estrutura que, de forma eficaz e eficiente contribui para a concretização dos objetivos estratégicos, monitorizando, encorajando melhores práticas, minimizando riscos, maximizando recursos, diminuindo custos e esforços duplicados, burocracia desnecessária e impacto negativo junto das partes interessadas, especialmente trabalhadores e clientes, numa abordagem integrada e orientada para os objetivos estratégicos.
Desde 2017 que foi iniciado a divulgação do SGI dos SMAS de Almada, através de participações em eventos internos e externos.

Palavras-chave: Sistema Integrado de Gestão, ISO 9001:2015



Clientes Vulneráveis: Um Desafio para os Modelos da Qualidade

Patrícia Moura e Sá

Resumo

As normas ISO 9000 enunciam o princípio e exigem em vários dos seus requisitos que a organização identifique as necessidades dos seus clientes e meça a sua satisfação.
Os modelos da qualidade assumem como princípio fundamental o foco no cliente, mas ignoram quase em absoluto a existência de clientes vulneráveis. Há necessidade de serem criadas ferramentas e mecanismos mais eficazes para assegurar que todos os clientes tenham idênticas oportunidades de influenciar os produtos e serviços, nomeadamente os que se encontram em situações de vulnerabilidade. É aqui analisada em maior detalhe o caso do Ferramenta Comum para a Qualidade nos Serviços Sociais de Interesse Geral na Europa, publicada em 2010, que integra esta problemática.

Palavras-chave: Clientes Vulneráveis, ISO 9000



Qualidade e Protecção de Dados:Um Diálogo a Explorar em Debate Aberto

Sílvio Gomes

Resumo

Em 2018, a Qualidade e a Protecção de Dados constituem dois grandes desafios para as organizações. Da consistência da resposta podem advir oportunidades de melhoria e em conformidade legal com o Regulamento Geral sobre a Protecção de Dados
(RGPD) e em conformidade normativa com a nova versão da norma ISO 9001:2015.
As ferramentas conceptuais da Qualidade devem contribuir para o planeamento e para a implementação de um Sistema de Gestão da Protecção de Dados, acomodado no Sistema de Gestão da Qualidade como um processo de suporte. A tradução dos requisitos jurídicos do RGPD em requisitos da organização exige uma abordagem holística e sistémica, capaz de conferir uma capacidade de resposta mais robusta e consistente, aos novos paradigmas da privacidade e da protecção de dados.

Palavras-chave: Protecção de Dados,  ISO 9001:2015



 

A Futura ISO 50501 – Sistemas de Gestão de Inovação. Linhas de Orientação

Joana dos Guimarães Sá, Rita Ribeiro de Sousa

Resumo

A futura norma ISO 50501 sobre linhas de orientação para sistemas de gestão da inovação, mantém a sua publicação até ao final de 2018. Sendo uma norma de linhas de orientação, a ISO 50501 segue o Anexo SL Estrutura de Alto Nível e texto comum para normas de sistemas de gestão da ISO, apresentando uma abordagem PDCA de gestão. Esta norma contém algumas caraterísticas distintivas, como sendo: Inovação como resultado; Entender o contexto e identificar oportunidades; Foco na realização de valor; Estruturas organizacionais;
Cultura de inovação; Colaboração; Gestão da propriedade intelectual; Iniciativas; Processo de Inovação; Gestão de Portefólio e Indicadores de desempenho. A norma foca as organizações já estabelecidas, e não tanto start-ups ou organizações de caráter temporário.

Palavras-chave: ISO 50501, ISO 9001



A nova Norma ISO 45001 e os Riscos Psicossociais

Joana dos Guimarães Sá, Rita Ribeiro de Sousa

Resumo

A norma ISO 45001 que veio substituir a OHSAS 18001, adota o Anexo SL como estrutura de Alto Nível facilitando a sua integração com outros Sistemas de Gestão.
As organizações certificadas pela OHSAS 18001, têm a partir de agora, 3 anos para proceder à transição do seu Sistema de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho para a ISO 45001:2018. A abordagem dos fatores de risco profissionais tem-se centrado essencialmente nos riscos tradicionais. De acordo com a EU-OSHA, o stresse é o problema de saúde reportado com mais frequência na Europa, logo a seguir às perturbações músculoesqueléticas.
A norma ISO 45001 refere de forma explícita os riscos psicossociais no requisito 6.1.2.1, focando os fatores sociais (incluindo a carga de trabalho, horas de trabalho, vitimização, assédio e intimidação/bullying), a liderança e a cultura da organização.

Palavras-chave: Riscos Psicossociais, ISO 45001





Editorial

Direção que temos o privilegio de liderar recebe a Associação com uma situação estável sob o ponto de vista financeiro. Os novos desafos no triénio que agora se inicia passam pela renovação de produtos, pela aproximação aos associados e pela participação em redes colaborativas que permitam a sustentabilidade da Associação, sem esquecer os projetos em curso que recebemos, numa perspetiva de continuidade sem sobressaltos ou ruturas, normalmente nefastas às organizações.
É essencial que as receitas aumentem de forma a sustentar quer os projetos em curso, quer os novos que se avizinham.
As redes colaborativas com congéneres nacionais e internacionais, com entidades do sistema de ensino e do sistema científico/tecnológico e com associados empresariais permitirão a renovação e a sustentação da Associação.
Estas permitirão que as competências sejam partilhadas e se traduzam em valor acrescentado para os associados, comunidade e outros profssionais que trabalhem nas áreas da gestão da qualidade e da inovação, em prazos mais curtos com a inerente redução de custos e o aumento da qualidade dos produtos disponibilizados.
Qualidade e inovação.
Noutra vertente a existência destas redes colaborativas poderá contribuir para a racionalização de recursos e assim dos custos associados, ascendendo a níveis de qualidade de serviço mais elevados.
Pretendemos com estas políticas aumentar o valor da associação com competitividade.
A união faz a força.
Actualmente verifica-se que de uma forma geral o associativismo qualquer que seja a sua dimensão ou sector de actividade sofre de uma erosão com dificuldade em aumentar ou mesmo manter o número de associados, assim como a sua mobilização.
É necessário combater esta tendência.
Nesse contexto, tentaremos atingir a convergência de interesses pela renovação das abordagens, com base no desenvolvimento do conhecimento e na melhoria da informação apoiados em tecnologias de informação e comunicação já existentes ou a aprofundar.
Contamos com os associados e parceiros para trilhar esse árduo caminho.
Por último não podemos deixar de mencionar dois desafios importantes no triénio agora iniciado, concentrados em 2019 – a celebração dos 50 anos da nossa Associação e o congresso da EOQ no segundo semestre do ano.

Editor
Frazão Guerreiro
Presidente da Direção da Associação Portuguesa para a Qualidade