FORGES Volume 1 / Número 1

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A Revista FORGES abre um espaço de reflexão e debate sobre a gestão das Instituições de Ensino Superior, especialmente dedicada aos Países e Regiões de língua oficial Portuguesa.

Esta Revista visa estudar e compreender cada vez melhor o universo do Ensino Superior, no espaço próprio e identitário da língua Portuguesa como grande património comum e distintivo dos Povos que a usam, tendo em conta o mundo cada mais globalizado, em que a Academia cada vez mais se tem de mover e afirmar.

A Língua e as culturas, que enriquecem de forma única o espaço destes Países e Regiões, são vistas como vastos campos de promissores de resultados e vantagens mútuas.

Saiba mais em www.aforges.org

Índice

FORMAÇÃO E CONHECIMENTOS: PERSPECTIVAS FILOSÓFICAS E SOCIOLÓGICAS

CARLOS ROBERTO JAMIL CURY



É a Faculdade e não o Conselho Geral, estúpido!

JORGE OLÍMPIO BENTO



Gestão Universitária: contradições entre privado e público

JOSÉ DIAS SOBRINHO



Governança da Educação Superior – contextos e processos de mudança em Portugal

JÚLIO PEDROSA, HÁLIA COSTA SANTOS, MARGARIDA MANO, TERESA GASPAR



O ensino superior politécnico em portugal – presente e futuro

JOAQUIM ANTÓNIO BELCHIOR MOURATO



Os desafios do planeamento estratégico: O caso da Universidade de Cabo Verde

Paulino Lima Fortes



Tendências da educação superior: diversidade, relevância e qualidade

PEDRO LOURTIE



Editorial

A Revista FORGES abre um espaço de reflexão e debate sobre a gestão das Instituições de Ensino Superior, especialmente dedicada aos Países e Regiões de língua oficial Portuguesa.

Esta Revista visa estudar e compreender cada vez melhor o universo do Ensino Superior, no espaço próprio e identitário da língua Portuguesa como grande património comum e distintivo dos Povos que a usam, tendo em conta o mundo cada mais globalizado, em que a Academia cada vez mais se tem de mover e afirmar.

A Língua e as culturas, que enriquecem de forma única o espaço destes Países e Regiões, são vistas como vastos campos de promissores de resultados e vantagens mútuas.

É muito longa a história das universidades, desde a Idade Média até aos dias de hoje. A explicação para esta permanência no tempo encontra-se na sua capacidade de renovação. Todos os anos chegam novos alunos, com as suas ideias e aspirações, que sempre influenciam a cultura da instituição. Todos os anos a ciência se depara com novas descobertas e, assim, vai abrindo caminhos de criação e de futuro. Todos os anos a sociedade coloca novos problemas e obriga as universidades a saírem do seu recinto para lhes responderem. Nesta tripla renovação encontra-se o sentido maior da universidade, as suas raízes e as suas utopias. Nos seus melhores momentos, as universidades souberam inventar-se e reinventar-se. E tal só foi possível porque estavam protegidas de interesses imediatos, porque foram capazes de se construírem (ou, pelo menos, de se imaginarem) como espaços de um tempo e de uma liberdade sem condição, para recorrer à expressão de Jacques Derrida. Nas últimas décadas, houve uma mudança de fundo no ensino superior. As universidades adquiriram uma centralidade como nunca tiveram no passado. A expansão do ensino superior, que abrange já quase 200 milhões de estudantes em todo o mundo, e a importância cada vez maior do conhecimento nas sociedades do século XXI concedem às universidades um lugar de enorme significado na sociedade e na economia. E, no entanto, vivemos um tempo paradoxal. Todos reconhecem o “grande passado” e o “grande futuro” das universidades. Mas quantas vezes parece pequeno o seu presente, marcado por dificuldades no financiamento, na autonomia e no dia-a-dia das instituições. Ao abrir um espaço de reflexão e de debate sobre estas e outras matérias, a Revista FORGES cumpre uma missão de grande alcance. É certo que existem inúmeras publicações e periódicos dedicados ao ensino superior em todo o mundo. Mas não havia ainda uma revista dirigida aos países e regiões de língua portuguesa. Uma vez que todos reconhecemos que a internacionalização é, hoje, a quarta missão da universidade – tal como referem Naomar de Almeida Filho e Fernando Seabra Santos no seu livro com este título – facilmente se compreende a importância do projecto editorial a que Luísa Cerdeira e Sónia Fonseca lançaram mãos. É uma iniciativa que nos permite estudar e compreender o universo do ensino superior a partir dos nossos contextos e realidades, sem nos vergarmos à inevitabilidade de um centro único de pensamento, que tem sempre como matriz a língua inglesa. É por isso que tanto aprecio a referência de Paulo Freire a Ariano Suassuna, quando diz que ele “se tornou um escritor universal não a partir do universo, mas de Taperoá”. Também nós, universitários, temos de nos tornar internacionais, sim, mas a partir da nossa língua e da nossa cultura. Vivemos num tempo de mudanças profundas. Mais do que nunca precisamos de universidades com pensamento aberto, com vistas largas. A nossa obrigação, hoje ainda mais do que no passado, é pensar e antecipar o futuro. Temos de estar à frente do nosso tempo, de pensar em liberdade o que não é pensável noutros espaços. É para isso que servem projectos como a Revista FORGES.
António Sampaio da Nóvoa
Lisboa, 19 de Outubro de 2014